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Publicado dia 24 de janeiro de 2012

Diretor do IFTO reconhece deficiência na oferta de estágios

O diretor inicia a entrevista explicando que os institutos federais foram criados em 2008 e é uma rede que foi formada a partir de escolas técnicas e agrotécnicas. “Especificamente em Araguaína aconteceu o processo de federalização da Escola Técnica de Enfermagem e demos início a novos cursos, entre eles, Análises Clínicas”.

Processo de adaptação
Ronano Oliveira acrescenta que o Campos do IFTO em Araguaína, foi fundando em 2009 e por ser um instituto novo, ainda passa por um processo de implantação e adaptação em toda a sua estrutura física, administrativa e educacional.

A falta de estágios
Sobre as denúncias relativas à falta dos estágios obrigatórios, o diretor confirma a existência do problema e esclarece as razões que levam a essa dificuldad. “Para realizarmos os estágios é preciso que haja um convênio, contrato ou termo de cooperação tanto com a iniciativa pública quanto com a privada, no entanto, o parceiro tem que ter interesse e disponibilidade para a inclusão de nossos alunos nesta etapa importante do curso”, diz o diretor apontando que os dois grandes laboratórios (ele preferiu não citar o nome dos mesmos) na cidade que teriam condições de oferecer as vagas de estágios para todas as áreas de cursos do IFTO não apresentam interesse nessa disponibilidade. “Um dos laboratórios afirma já ter o quadro profissional completo e o espaço seria insuficiente para atender aos estagiários, o outro tem apenas duas vagas disponíveis, o que dificulta nosso trabalho, por exemplo, se precisamos de uma rotatividade de quarenta alunos pra duas vagas é evidente que acontecerá esse acúmulo de estágios”.

A competitividade
Outro problema apresentado pelo diretor sobre o assunto, trata da competitividade relativas às vagas de estágios coma outras instituições privadas de ensino técnico. “Quando negociamos com os possíveis parceiros, oferecemos o material que os alunos utilizam no estágios bem como cursos de capacitação para os profissionais da empresa, mas infelizmente isso não é suficiente em virtude das instituições privadas que além de oferecerem isso também pagam uma gratificação ao profissional orientador da turma que realiza os estágios ou até mesmo a contratação de um orientador para acompanhar os alunos, e quando vemos essa concorrência, percebemos o quanto é grande nossa limitação por não termos as mesmas condições”.

Prioridade inversa
O diretor destaca ainda que assim como os laboratórios privados, a rede pública de saúde não prioriza as instituições de ensino púbico na área da saúde. “Mês de agosto de 2011 estive num fórum nacional onde se reuniram diretores da rede federal, estadual e municipal e escolas conveniadas que ofertam cursos técnicos de Nível Médio na área da Saúde, onde reivindicamos ao Ministro da Saúde, que estava presente, para resolver esse problema de estágios, propomos que seria preciso uma regulamentação, uma lei, decreto ou medida provisória, que obrigasse pelo menos a rede pública de Saúde a priorizar as vagas para estagiários das instituições públicas de ensino”, diz o diretor afirmando que até hoje não se tem uma resposta satisfatória para a dificuldade. “A grande angústia é porque ficou apenas uma expectativa de criação de um grupo de trabalho para consolidar essas informações e apresentá-las ao governo federal”.

Alternativas
Ainda em entrevista, Ronano Oliveira garante que o instituto tem buscado alternativas, para tentar sanar essas dificuldades, entre elas a busca de estágios em municípios circunvizinhos como Wanderlândia, Piraquê e Nova Olinda entre outros. “Já temos um acordo firmado em Aragominas, Fátima e outros em fase de negociação para receber nossos alunos”.

Quanto aos custos de deslocamento, o diretor fala sobre um programa de assistência estudantil que foi implementado no 2º semestre do ano passado no IFTO. “Estamos fazendo um planejamento para custear as despesas dos alunos que precisarão se deslocar para outros municípios para a realização dos estágios”.

Outra solução apresentada pelo diretor foi um convênio fechado com a Secretaria Municipal de Araguaína no final do ano passado que disponibilizará vagas de estágios a partir do mês de fevereiro dentro dos postos de atendimento na área da saúde que tem serviços terceirizados.

Falta de apoio do Governo do Estado
Questionado sobre o apoio da rede estadual de Saúde, Ronano esclareceu que na gestão passada havia um convênio com o laboratório que realizava as Análises Clínicas dos hospitais. “Tínhamos essa parceria, mas com a mudança de governo, houve um outro processo licitatório para a contratação de um laboratório, e o que venceu o processo não disponibilizou as vagas de estágio para nossos alunos”, lamenta o diretor afirmando que a instituição tem buscado uma audiência com o Governo do Estado para tentar uma nova parceria.

Compromisso
Tendo em vista a preocupação da turma concluinte do curso em não finalizá-lo pela falta de estágios, os quais são obrigatórios para a formação curricular do Técnico em Análises Clínicas, o diretor garantiu que esses alunos terão prioridade para a realização desta etapa do curso. “Os alunos terão condições de concluir em tempo hábil e continuamos em busca de mais parcerias para atender toda a demanda”, se compromete Ronano Oliveira, destacando que caso os alunos não concluam os estágios até o mês de março, data prevista para o término do curso técnico para a 1º turma, eles continuarão fazendo os estágios para cumprir a grade curricular e assim poderem receber seus certificados de formação.

Falha na comunicação
Sobre a possível falha na comunicação relatada pelo denunciante, o diretor nega essa situação e afirma “a direção do ifto é aberta, sempre colocamos que não há nenhuma barreira entre a direção e o aluno, servidor ou a comunidade”, diz o diretor acrescentando “Os alunos afirmam que alguns problemas só foram solucionados pela insistência de suas reclamações mas é importante ressaltar que somos uma instituição pública, os nossos mecanismos administrativos de resolução, muitas vezes são morosos. Se falta material, fazemos uma licitação que demora de três a seis meses pra ser atendida, então por mais que busquemos uma solução imediata, o resultado não é imediato”.

Avanços
O diretor reconhece que o IFTO tem várias deficiências, mas destaca que muito já foi conquistado durante este período em que o Campus está em funcionamento. “Estamos em fase, de implantação, aquisição, mas quando eu assumi a direção em 2010, o laboratório estava fechado, não tinha professores especialistas na área e hoje tudo isto está funcionando, estamos vendo a situação avançar positivamente”.

Apelo
Finalizando a entrevista, o diretor faz um apelo às instituições públicas e privadas que tem a possibilidade de oferecer estágios aos alunos do IFTO. “É importante que eles se sensibilizem e recebam nossos alunos em suas instituições, porque o estagiário de hoje é o nosso profissional de amanhã e ele precisa ser competente, qualificado e para isso necessita de experiência que é adquirida nessa oportunidade que é o nivelamento final da formação dos alunos”, pontua.

Fonte: Dágila Sabóia / Portal O Norte

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